A Vinha do Contador, com o património natural de castas ali
plantadas, e o Tempo, esse imaterial património que contribui para que tudo
seja melhor. O tempo que passa é algo que não se dá conta e não sabemos a sua
exata medida. É o tempo suficiente. O tempo nunca passa depressa nem devagar. O
tempo passa ao minuto, à hora, ao dia, e ao ano. As quatro estações são a marca
que o tempo deixa. É no fim de cada ciclo da videira que o vinho nasce e, por
isso, é de outono a outono que contamos o tempo.
No Paço dos Cunhas não há pressa. É este o tempo que um
Vinha do Contador tem que esperar. Enquanto esperamos que um fique pronto,
preparamos o seguinte. Cultivamos a vinha que, em modo biológico, nos obriga a
cuidar mais, a olhar mais por ela, a proteger as suas plantas. E esperamos que
as montanhas ajudem a vinha, protegendo-a dos ventos, e dando-lhe apenas as
necessárias horas de sol, nem mais, nem menos, horas de um sol que nasce por
detrás da Serra da Estrela e se põe, para além do Caramulo.
Depois, devemos sentir-nos responsáveis e, se possível, transformar o que temos em algo ainda melhor.
A História do Paço dos Cunhas é, em si, um exemplo de como a
Natureza foi generosa. A nós tem-nos cabido o privilégio de, de forma
continuada, cuidar. Foi o que fizemos quando, há mais de dez anos, decidimos
recuperar o Paço dos Cunhas. Fomos melhorando continuamente o património
material que existia neste lugar, recuperámos as vinhas aqui existentes, e
demos-lhe vida. Decididos, procurámos promover e perpetuar este património,
dando-lhe forma através dos vinhos que criámos e que queríamos que fossem especiais,
únicos, reconhecidos pela crítica aquém e além-fronteiras. Com muito critério,
colheita após colheita, fomos selecionando com muito pormenor os vinhos que
ostentam a marca Paço dos Cunhas Vinha do Contador. Daqui apenas saem vinhos
que transmitam a filosofia do Paço dos Cunhas. Vinhos especiais, únicos, que
respeitam o terroir e que se distinguem nos pequenos detalhes e na
precisão com que a viticultura e a enologia trabalham desde a vinha até à
garrafa, num percurso sempre longo.
É aqui, neste lugar tão especial, que se conta a história de um vinho, que tem a sua origem no primeiro dia após cada
vindima, no início daquele outono de tons castanhos e avermelhados. Desde esse
dia até ao dia em que se abre aquela garrafa passam vários outonos. Nasceram
filhos, nasceram netos. Cresceram e moldaram-se personalidades, gostos e
vontades. Ficámos mais velhos. Ficámos mais experientes. Também assim é com o
vinho. O tempo marca o vinho, como nos marca a nós, melhorando-os,
melhorando-nos. Daqui só saem vinhos e aguardentes que o tempo ajudou a
melhorar.
É deste saber esperar que nasce o Vinha do Contador.
Sabíamos desde o primeiro dia que não podia ser de outra
forma, nem poderia ser noutro local. É tão especial, tão único, que teria de
ser no Paço dos Cunhas que encontraríamos este resultado. Fomos aprimorando,
ano após ano, num trabalho de campo, de vinha e num trabalho de adega, de
equipa, à procura do mais único de todos os nossos vinhos. Não queríamos fazer
mais um vinho. Queríamos fazer o Dão. O Dão tal como todos o descrevem tinha
que nascer ali, onde a natureza foi mais generosa.

